Páginas

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

COMPARAMENTO


"...as palavras se sujam de nós na viagem. Mas desembarcam no poema escorreitas: como que filtradas. E livres das tripas do nosso espírito." Manoel de Barros/Ensaio Fotográfico

Comparamento, comparação da parada e do momento, com assento deslocado, quente ausente afogado...tudo pode mudar em um trimmmm. Quem diria que em um dia lindo assim de arco íris e afins uma parte da história mudaria. Era um dia incomum, bater de perna o dia inteiro: tintas, almofadas, banco, sandálias, sapatos, sorvete, azulejos e gentes... Abençoada ao abrir do dia com a Papisa, que não sabe, sente, guardei no inconsciente surpresas por vir. No fim da tarde, do acalanto da mãe à sugestão de chama acesa para nossa senhora das Candeias, a purificadora, faria algo acontecer. Enquanto eu sussurrava em seu ouvido espiritual algo material acontecia em outro lugar do universo. Um reencontro a muito aguardado, ainda que falado antes faltado agora proposto e em oposto a aposta que se fazia, foi feliz, ele sorria. Foi de desafogar.

Dedico este post à uma pessoa que estava distante e hoje resolveu aparecer para a alegria do meu sincero e colorido coração: Pipo Pegoraro, amigo que modificou minha percepção musical e me encantou com a poesia de Manoel de Barros e André Neves. Obrigada!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PowerOff



Vendo o tempo escorregar pelo espaço como uma lesma ou taturana escorregam pela parede ou chão ou grama, foi o modo como obervei o dia escorregar até aqui. Por um sonho meio dalineano e rodrigueano acordei e fiquei. Passeei por mantras sagrados, vela amarela e retratos, links e suaves status de presença no virtual. Queria fazer muita coisa e me peguei estacionada no nada, alá Manoel de Barros, me culpando e perdoando pela pausa de mais um dia! Muitos anos sem grandes pausas causam tormentas aqui. É como se eu mesma não me autorizasse um sabático, mas, de certo modo estou nele, e são só dois meses.
Descobri nestes dias que pausar e apenas pausar é tarefa difícil. Fomos moldados para sermos liquidificadores, métodos eficazes, motores e quando precisamos desligar aparece uma espécie de alerta vermelho que grita "ÔOOOOo, tá fazendo o que parado aí!?". Irmãs, pai, mãe, sogra, cunhado, amigos, marido, correm correm correm e até se auto acodem dentro de tamanho turbillhão, daí me vejo cheia de pastas e links etéricos, invisíveis, em um tipo de stand by.
Poweroff please!!!
Peço as palavras sábias de Manoel que se façam agir sem medo em mim...

A inércia é o meu ato principal
Manoel de Barros

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Curvilíneas


"As pequenas percepções são não apenas a passagem de uma percepção, elas constituem o estado animal ou animado por excelência: a inquietude." Gilles Deleuze

Elas eram curvilíneas...assim disse ele, tirando de minha boca a palavra que não consegui encontrar. Elas, as formas escolhidas, eram curvilíneas. Assim como os pensamentos, percepções e sensações dos instantes daquele momento, que dançavam livres em um espaço-tempo aberto ali. Como a água da aquarela dela, digo, aquela outra que não eu que também pintava ali, um outro assoprava palavras iluminadas sobre como prender uma imagem em uma caixa de fazer ir, ir no espaço passado, ver um olhar de presente, um olhar ruidoso, como o próprio explicou. Ainda havia um animal, dentre alguns mínimos outros que de lá prá cá corria atrás de um amarelo no azul, um azul líquido, límpido, ou quase, que se prestava a iluminar o dia com sua característica úmida de fazer querer tocar. Por tudo isso, além dos barros moldados, curvilínia, foi a tarde, acho que dá para imaginar!

Dedico este post à Gui Chiappetta, Cy Domenico, André Uba e Bibi

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Entreabertos...


Assim os sinto...meus olhos...o dia rasga lá fora e eles continuam entreabertos, meio que me castigando por te-los deixado fechados por muito tempo, talvez mais tempo que o desejado por eles para seu necessário descanso.
A guerra interna é para que eles parem com esta brincadeira e aportem ao dia, afinal este sim está deslumbrante lá fora. Preparo-me para um momento importante. Inicio hoje meu primeiro JARDIM DE BARRO, um projeto pessoal plástico ruminado aqui dentro há algum tempo. São vasos, barros materializados, vida, que organizarei conforme a atmosfera dos espaços que tiver a sorte ou o acaso de trabalhar, combinados harmonicamente, com minha atmosfera interna para fazer dobras de vida, de sensações de vida...
Para chegar a este ponto, também ainda entreaberto, leio A Dobra, de Gilles Deleuze e Aquilo Que Você Recebe e Compartilha, revista Vida Simples sessão PENSAR de janeiro. Aliás, certo trecho desta matéria , com subtítulo O QUE É SER HUMANO, (mote de meus pensamentos já a alguns anos), questiona, segundo fala de Geshe Lhakdor, diretor de uma bilbioteca Tibetana em NY, "...o que nos faria deslocar do nosso centro para poder sentir mais apreciação pela existência...". A resposta veio com a seguinte explicação, a palavra em sânscrito para ser humano é purusha que significa aquele que é capaz de doar, ou seja, ser humano é saber doar. Embora me soe contraditório ou descentralizado do que hoje se ve como essência em ser humano, acredito na alma das coisas.
Em outro ponto da matéria, Liane Alves, quem escreve o texto, diz que a raiz da palavra humano vem de HUMUS que significa TERRA, a mesma raiz da palavra humildade, "tornar-se como a terra", ser humano, seria isso, reconhecer que somos terra e que a terra doa a vida, logo, somos doadores por natureza!
Em O JARDIM DE BARRO experimento isso, a vida, na vida, pela vida, uma experiência barroca contemporânea, uma dobra, independente de como soe esta sentença, para gerar sensações de vida nas pessoas que tiverem a oportunidade de ver um destes jardins.
Os vasos vida, após organizados, abrem-se a receber o que eu posso doar, minhas imagens inconscientes, um universo onírico talvez inexplicável mas capaz de fazer um sorriso, interno ou externo, se abrir nas faces do universo.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Entrando com pé direito!


Pés invisíveis calçavam a sandália enquanto visíveis pés calçavam o dia que neste instante ou naquele, pois já passou, ficou preso dentro desta imagem, chovia chovia e chovia...

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Vestida de Sol



...Sereno suspenso silencio,Cinza ao fundo,ao lado um alguém
Papéis projetos Sonhos em pé, e ela chega vestida de sol...

A poucos dias cheguei, em um momento iluminado da escola, espaço do qual não mais faço parte, para contar a minha irmã e mãe, eram elas em casa, sobre meu último dia naquele lugar. Ao chegar, meu tio padrinho, em meio a projetos arquitetônicos, conversava com um de seus funcionários e ao me avistar, disse: "oi Jú, vocês está vestida de sol hoje?" Estava eu toda de vermelho vestida mas minha aura estava, para além das roupas, certamente iluminada, ele ao certo percebia mas não sabia porque. Minha vontade era de dizer à ele naquele instante a boa nova...mas não podia, estava ele ocupado com os afazeres do dia. Me pergunto até agora, quando será a boa hora?Para agradecê-lo, embora ele não saiba, ao sair dali escrevi um som, um trecho de uma música que se chamará VESTIDA DE SOL. O trecho é o descrito no início deste post e eles (mensagem e música) vem afim de agradecer CArlos Augusto Ferreira, meu então tio que portas e mais portas abriu para eu saltitante passar e passear desde meus 7 anos. A escola onde aprendi e onde ensinei, devo à. Ele me proporcionou tamanho início de história. Obrigada tio!
Este post dedico à vocÊ pela oportunidade que me deu de hoje ser a mulher que sou, capaz de me vestir de sol para desfilar os céus do mundo em busca de sucesso com minha arte.

Te amo!
Juliana

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Amigas e amigos de escola...PITANGA PRÁ VOCêS!


"...quanto mais abro os olhos mais eu vejo por vir...é pra sentir e só..." Julli Pop e Tatá Muniz

PiTANgA,
O post que dedico à vocês em nome de minha despedida (está abaixo, basta descer a barra de rolamento ou digitar na barra de endereços o endereço a seguir http://poptchuras.blogspot.com/2009/12/pitanga.html) vem me ajudar a contar que vou para fazer brilhar o que me inquieta aqui dentro, neste colorido peito...que desde de minha infância insiste em atordoar sorridente meus dias, me movendo a dormir e acordar o "sentir", motivo da arte existir, meu motivo de estar viva também.
Como verão (de calor e de visão)...uma árvore floriu em meu jardim. Eu costumava dizer que não tinha animais pois nem minhas plantas cresciam e eis que, com uma mãozinha de meu parceiro eterno (Tatá Muniz) e da própria natureza, ela não só floresceu como colocou pintinhas volumosas vermelhas cintilantes para fora. Assistir este espetáculo me fez compreender que tudo tem seu tempo. E...meu tempo é agora. Meu tempo de ousar! Eu vou, vermelha como as pitangas, de calor e de pavor (um gostoso pavor), o pavor positivo do não saber, não saber exatamente onde vai dar nem o que vaI SEr, o pavor delicioso de encontrar o nunca visto.
Embora sempre sempre esperado!

Abraços Coloridos
JuJu
">